Análise Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii (PC)
Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é uma volta a origem da franquia, muita porradaria e insanidade o sempre carismático Goro Majima
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Em tempos que os grandes jogos demoram quase uma década pra serem lançados, existe um fenômeno chamado Ryu Ga Gotoku. O estúdio ousa mais uma vez e leva Goro Majima, personagem lendário da franquia Like a Dragon, para ser um pirata no Havaí. Esse é o quinto jogo da série em apenas cinco anos.
Com seu tapa olhos característico, até não é difícil imaginar Majima vestido como um pirata apenas trocando seus trajes extravagantes por figurinos típicos de filmes e jogos que retratam os bandidos aventureiros do alto mar. Sua personalidade extravagante também lembra um pouquinho Jack Sparrow, um dos mais conhecidos corsários da cultura pop. Pra completar, nosso protagonista perde todas as memórias após sofrer um ataque em alto mar.
Assim começamos o jogo, largado numa ilha, sem nenhuma lembrança até sermos salvos pelo Noah, um simpático menino caribenho morador da pequena ilha Rich. E digo simpático pois realmente ele é. Noah funciona como nosso braço direito e régua moral. Já no início pensei que o personagem poderia ser um mala, mas não é o que acontece.
Apesar da amnésia, nosso Pirata Yakuza ainda lembra como fazer sua especialidade, meter porrada. E isso é a essência do jogo. Mais uma vez a franquia volta a ser um Beat’n’Up em 3d, com muitos elementos de clássicos do estilo. E o infortúnio de Goro Majima é um brecha pro jogo criar uma árvore de habilidades, com o tempo é possível desbloquear golpes que nosso protagonista já não lembrava e até outros totalmente inéditos.
E como todo bom jogo de pirata, além de descer a porrada em inimigos, temos batalhas navais. Aqui a Ryu Ga Gotoku acertou em cheio. Primeiro é preciso arranjar uma tripulação inspirada, equipar nossos navio com diversas armas e depois é sair explodindo naus adversárias em alto mar.
História e Roteiro
Toda a franquia Like a Dragon é regida por uma trama principal muito bem escrita, mas muitos dos jogos não são conhecidos por grandes histórias e roteiros, apesar de sempre terem grandes clímax e plot twists inesperados. Diferente dos três últimos jogos (Like a Dragon, The Man Who Erased Name e Infinite Wealth) onde os roteiros são excelentes.
Pirate Yakuza in Hawaii, podemos dizer, que volta as origens. A trama principal é um pouco banal, mas os personagens são bem escritos e as diversas reviravoltas consegue te prender, mesmo com menos brilhantismo do que jogos recentes da franquia.
As missões paralelas, como sempre, rendem boas risadas com as situações mais absurdas que você pode imaginar, incluindo até um reality show de namoro em live action com personalidades conhecidas japonesas. Como todo jogo da série, recomendo fazer todas as missões paralelas, pelo menos as com história. E, para quem gosta, aproveitar os diversos minigames que vão dos tradicionais dardos e kart até uma espécie de baseball com balas de canhão e barris de pólvora.
Como já é tradicional em Like a Dragon, diversos NPCs retornam ao jogo pra fazer ao menos uma pontinha ou com uma missão própria baseada (se não for completamente igual) em outras que já apareceram em títulos anteriores. Deixando sempre aquele gostinho bom de nostalgia.
Gameplay
Como joguei diversos jogos da franquia recentemente, da pra perceber a movimentação mais fluída do jogo e o refinamento do combate, principalmente em relação a defesa e esquivas. Como nos primeiros títulos, novamente o jogo é baseado em andar e bater. Você encontrará muitos inimigos, ao final do jogo você terá derrotado, sem exagero, milhares de inimigos, a maioria bem pouco memorável, como também é tradicional no estilo. Ao contrário dos “chefes” onde você precisará estudar um pouco os movimentos pra escolher as melhor abordagem.
Inicialmente você pode dar um golpe fraco, um forte, defender, esquivar (ou pular), mas já no início, é possível desbloquear os primeiros combos e golpes especiais e sem eles você não vai muito longe. Além da barra de vida, temos uma barra de especial, chamada anteriormente de “ações heat”, alguns golpes e combos só podem ser executados com ela cheia e você consegue encher ela justamente dando porrada nos inimigos.
Uma terceira barra foi criada para ataques especiais de estilo. Sim, novamente temos estilos diferentes de luta e neles ataques ultra potentes. Como essa barra enche muito lentamente, a hora certa desses especiais precisam ser muito bem escolhidas. Eu mesmo, de tanto guardar para alguma hora importante, simplesmente esquecia de usar.
A “árvore de habilidade” aqui podemos chamar de menu de habilidades. Como em Yakuza 1, elas podem ser compradas com dinheiro como em um cardápio mesmo. Algumas tem pré requisitos, outras já estão disponível assim que você tiver dinheiro. É um sistema mais simples e um pouco sem graça, mas que funciona bem e tudo é muito bem descrito.
Em alto mar não é muito diferente, existe esse mesmo “cardápio” para o seu navio, mas existe um adicional humano na equação. Alguns membros da tripulação tem habilidades especiais se colocados em diversos “cargos”. Nossos marujos também tem uma classificação de bronze, prata e ouro que definem sua raridade e até onde eles podem evoluir. Inicialmente, é fácil algum pirata “bronze” ser mais forte que as classificações anteriores, mas, com o decorrer do jogo, ele estagnará em algum momento.
As batalhas navais são um show a parte. Um grande acerto do estúdio foi deixar ela nada realista e bastante “arcade”. Temos no navio três armas principais, dois canhões muito potentes laterais e uma metralhadora mais fraca na frente. Enquanto as armas laterais precisam de um tempo de recarga maior, a localizada na proa é muito rápida. Podemos largar o leme e atacar com um lança míssil manual (coisa que praticamente nunca usei)
Também é possível usar um “turbo” e até fazer “drift” (que é muito importante já que o tempo de recarga dos canhões laterias podem ser altos) e, apesar dessas mecânicas não fazerem sentido nenhum, deixam as batalhas muito mais dinâmicas.
Após derrotar uma nau inimiga o que você espera de um bom jogo de pirata? Sim, podemos invadir o outro barco e descer a porrada na tripulação inimiga, novamente é bom escolher a dedo quais membros da sua tripulação vão junto com você nessa abordagem.
Gráficos
Apesar de ser um spin-off, os eventos de Like a Dragon: Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii, acontecem logo após o Infinite Wealth (oitavo lançamento da franquia principal) e aproveita muito de personagens, tramas, cenários e motor gráfico. Então a cidade principal, Honolulu, é praticamente idêntica. Aliás, esse é um dos truques da Ryu Ga Gotoku pra fazer tantos jogos em um curto período de tempo. O título cria eventos novos, mas não é necessário criar tudo do zero.
Das criações novas o destaque fica para Madlantis uma caverna que funciona como uma cidade que se formou em volta do Coliseu Pirata com Rainha e Reis próprios, um cenário bem underground e completamente o oposto da aparência “god vibes” do restante do jogo.
Apesar da boa direção de arte, Like a Dragon: Yakuza Pirate in Hawaii, não se destaca em relação a jogos com gráficos modernos de “nova geração”. Os personagens principais, suas roupas e alguns itens tem texturas em altíssima resolução, mas vários cenários e até mesmo NPCs pouco importantes é fácil de ver que tudo é um pouco mais simples.
E é até fácil de explicar o motivo, o jogo também foi lançado para Xbox One e PS4, onde a franquia tem uma base instalada gigantesca, acredito que não seria possível saltos muito ambiciosos que rodassem bem em hardwares com 12 anos nas costas.
Mesmo com essas ressalvas o jogo é sim muito bonito, os cenários paradisíacos ajudam a passar essa sensação de “férias”, muitas praias, ilhas e montanhas ao fundo. Os figurinos e toda a personalização estética do nosso capitão Goro estão impecáveis. Tenho certeza que muitos jogadores passarão um bom tempo escolhendo a skin perfeita para cada ocasião.
Desempenho, bugs e afins.
A versão que testamos foi de PC e, como não é costume atualmente, rodou muito bem. Não tive nenhum bug significativo que me lembro, além de poucos crashes onde o jogo sem nenhum motivo fechava. Apesar desses momentos serem bem irritantes foram raros.
O jogo conta com as principais tecnologias de redimensionamento e upscaling, como FSR3 e DLSS3, o que me permitiu rodar em um PC mediano com tudo no máximo, em 1440p a 120 fps, usando essas tecnologias em modo qualidade. E o resultado final é muito bom, sem quedas bruscas na taxa de quadros, nem stutterings (aquelas travadas chatas da imagem).
O ponto negativo foi para o carregamento de texturas que acontece já é próximo a você, apesar de ser muito comum nos jogos atuais, é um pouco chato ver uma grama aparecer do nada, ou mudar até o formato de uma árvore. Esses pequenos defeitos são mais comuns na vegetação das ilhas e, praticamente, não acontece na maior parte dos cenários dos jogos.
E aí, vale a pena conferir essa aventura em alto mar?
Com certeza! Acho que o jogador que chegar com as expectativas certas dificilmente ira se decepcionar. A franquia se reinventou totalmente com o sétimo jogo (Like a Dragon) deixando de lado o estilo Beat’n’Up pra se transformar em um RPG por turno e aí explodiu até para o Ocidente. É curioso trazerem de volta o estilo original mas faz muito sentido para o protagonista.
A história, apesar de não ser profunda, é muito bem contada, assim como os personagens são bastante cativantes. É fácil se importar com eles e com o que está acontecendo a eles. A porradaria comendo solta é balanceada com muitas cutscenes, o que também é comum em toda a franquia. Em momentos mais decisivos da trama é comum ficar alguns minutos só assistindo, o que pode desagradar uma minoria que não se importa em nada com o que acontece nos jogos.
O combate está bastante refinado e é muito rápido, como as vezes temos quase uma centena de personagens saindo no soco na tela é preciso ter muita velocidade nos comandos. Em situação onde estamos mais no um contra um (ou dois, três…) é legal também ter estratégias mais cadenciadas entre ataque, esquiva e defesa.
Se você nunca jogou nada de Like a Dragon (Yakuza) pode não ser o melhor ponto de partida na franquia, mas o título se sustenta como um jogo solo. É possível se divertir e entender os principais pontos da trama sem nenhum contato com nada anterior da série. O “artifício” da amnésia de Majima também ajuda nesse sentido. Os personagens mais importantes você conhecerá após ele acordar desmemoriado na praia, enquanto o resto é muito mais referências que pontos cruciais.
O jogo está dublado em Inglês e Japonês (que é o que eu recomendo por ser o idioma original) e legendado em diversos idiomas, incluindo português.
Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é um jogo desenvolvido pela Ryu Ga Gotoku, estúdio da SEGA e está disponível para PC, PS4, PS5, Xbox One e Xbox Series. Jogamos no PC em uma cópia fornecida pela assessoria de imprensa.